Sobre coisas para não se perguntar.

Ok, talvez esteja querendo ser radical, mas você já passou por aquele momento constrangedor em que alguém faz uma pergunta totalmente desconfortável? Claro, depende muito da pessoa deixar-se intimidar ou não, mas eu não conheço uma que não tenha ficado sem jeito ao responder certas coisas. E também depende do grau de intimidade que se tem com o outro. Se bem que pra certos questionamentos não importa o quão bem você o/a conheça, basta ter um botãozinho de alerta que te pare nessa caixa preta que você chama de cérebro. 

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Quando eu estava solteira, viviam me perguntando “Cadê o namoradinho?”. Agora que namoro vivem me perguntando “E aí, quando vão casar?”. Ambas são constrangedoras, e nem me diga “Ah, pelo menos você tá namorando, amiga.”. Não que eu não queira casar. Quero sim. Porém, também não alimento sonho de casar como uma princesa e nem tenho o design do casamento perfeito em mente. Na verdade, nem parei pra pensar nisso. Eu me sinto até pressionada. E quem namora tem que casar pra hoje? E se eu quiser comprar uma bicicleta? E se a gente quiser morar junto e fazer o “test-drive”? E se a gente quiser rodar o mundo antes? Imagino a pressão que pessoas que namoram há seis, sete ou oito anos devem sentir, ou ainda a que os solteiros de plantão (por ou por falta de opção) devem sofrer. 

Aí um dia desses encontrei uma pessoa que não via a tempos. Ela estava passando na rua e atravessou para conversar um pouco comigo, e aí soltou “Poxa, porque engordasse tanto, menina?”

QUE-RI-DA. 

Sério, se você sabe exatamente o que teria respondido, pode deixar um comentário aí me dando esse belo tapa na cara (eu no mínimo adicionarei o argumento na minha caixa de foras prontos). Eu fiquei estática, e sem saber o que responder (porque estava rebobinando mentalmente meu histórico de efeito sanfona desde criança) dei aquele sorriso amarelo tradicional para coisas-que-não-consigo-contra-argumentar. Ela é uma pessoa boa, e não o fez com o intuito de constranger; juro, a conhecendo bem, ela fala o que vem na cabeça e sem filtro (às vezes acontece comigo também, pode perguntar para as minhas amigas). Porém, sabemos que outros perguntam na safadeza; querendo lhe colocar pra baixo. Resultado: levei essa frase pro resto do dia, e comecei a fazer aulas de Muay Thai. Sim, há males que vem para bem. Estou adorando o Muay. 

Bom, não sei você, mas eu já senti olhares de tristeza e até pena de outros ao falar da minha escolha profissional. Não falo de ser publicitária, mas sim de ser professora. O que deve passar na cabeça de muitos ao pensar em um professor é alguém que rala muito e passa fome ou ganha pouco. Olhe, sobre trabalhar muito; sim. Sobre passar fome / ganhar pouco; assim como em tudo o que você faz, quando se é competente e se dedica com paixão, as portas se abrem. E não é cliché. É real. E perguntas do tipo “Mas porque você não faz outra coisa?” ou “Minha filha, se eu puder lhe dar uma dica, saia dessa” não me deixam com sorriso amarelo, como anteriormente, mas me fazem querer dar o texto épico para que nunca mais abram a boca ao tratar desse assunto. Really. E agora há botãozinho de certo ou errado para escolhas profissionais? Sempre existiu e não me contaram? Ok, desse tipo de gente triste eu quero distância. 

Finalmente, peço para 2015 uma porção de elegância para todos nós, uma pitada de “simancol”, e menos perguntas constrangedoras com respostas igualmente tensas.

Beijo, Bee.

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5 comentários sobre “Sobre coisas para não se perguntar.

  1. Adoreeei Hemy!!! Ri um bocadinho… ;P algumas perguntas são tensas mesmo.. Mas realmente detesto comentários sobre o peso… :/ Me sinto exposta e com uma sensação estranhíssima e desconfortável de que a pessoa tá prestando atenção no meu corpo!! Affeee…
    O sorriso amarelo é inevitável!

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