Mainha nunca quis que eu fosse “a mais”. Ainda bem.

Inevitavelmente, todos nós temos expectativas acerca dos outros, em N situações e por qualquer razão. Por algum motivo do qual desconheço, nós, mulheres, sempre nos sentimos mais cobradas. A primeira justificativa que me vêm à mente é a tal da “sociedade machista” e de toda a luta (ainda necessária) contra certas atitudes que não vão inundar meu texto hoje. Entretanto, a cobrança maior não parte de terceiros; ela vem de nós mesmas.

Verdade. Não posso generalizar. Então, limitarei-me ao egocentrismo de falar sobre mim mesma e sobre o meu maior exemplo feminino. Não fui criada para a competição ou para a guerra. Minha mãe nunca me cobrou um boletim cheio de notas dez (embora ela também não gostasse de notas sete, mesmo que eu as agradecesse imensamente e suasse para consegui-las haha). Ela tão pouco esperava que eu fosse a primeira no ranking da escola. Minha mãe não me cobrava medalhas de ouro na natação ou nos jogos internos de colégio. Ela nunca me forçou a estudar um curso de escolha própria para que ganhasse bem. Ela nunca me pediu para ser “a mais”; a mais estudiosa da família, a mais simpática com terceiros, a mais dedicada às atividades extras, a melhor sucedida em cursos. E ela não teve essa atitude por descrença na pessoa que eu seria, nem por me subestimar.

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Colação de grau. 🙂

Ela, assim como Mário Quintana, me permitiu fazer escolhas, sendo certas ou erradas. Em virtude das experiências que passamos juntas, das lutas que a vi (e ainda vejo) travar todos os dias, ela me fez crescer prestando atenção no modelo de suas atividades. Cresci para ser exigente comigo mesma afim de ser tão boa quanto ela é em qualquer coisa que ela faça. Ainda bem que até hoje, assim como ela, não quis ser “a mais” nas coisas que fiz; aprendi a querer fazer o melhor por mim mesma, e não para exibir para quem quer que fosse. E sinceramente? Não me fez falta. A gente tem que parar de querer ser e estar no topo para mostrar ao mundo; ter a ambição de sermos melhores em tudo para que, muito além do ego próprio, outros possam notar e paparicar. 

Não me arrependo de ter tirado notas medíocres, nem de ter perdido competições. Não me sinto mal por ter entrado na universidade raspando, nem de não ser a melhor motorista da cidade. Não me sinto péssima por não ser a mais esbelta da família (embora mainha sempre fale que seria bonita até careca e desdentada. #beijonoombro). Eu me sentiria mal em não tê-la como inspiração, ou em não ter tentado aprender um pouquinho dos valores que ela cultiva no dia-a-dia.

E porque falei tanto da minha mãe? Porque eu num sou mulher coisíssima alguma. Ser mulher exige uma responsabilidade muito grande e uma boca muito cheia de conquistas. Eu sou um projeto em construção, sendo moldada pela minha mãe e pelo mundo. Quem sabe um dia, né? 

Eu sei que muitas mulheres merecem homenagens nesta data. Entretanto, hoje quero falar das coisas que vivenciei e que me inspiraram. Então, te amo, mãe! Feliz Dia Internacional da Mulher para o meu maior exemplo de vida. ❤

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